domingo, 12 de julho de 2009

LÁPIDE


O amor se transformou em pedras. Duas pequenas pedras brancas, que são tudo o que se tem a tocar.
Os beijos transmutaram em flores. De todas as cores, aromas... flores sobre as pedras.
As pedras dizem coisas. Pessoas passam por elas. Têm cheiro de flor murcha no verão.
As flores querem dizer, preguiçosas, sem nada falar. Pedem perdão. Gritam retorno. Urgem contato... mas, impávidas pedras separam o que restou, com cuidado.
Pudessem sair do caminho, pedras! O anseio por tocar a morte é crescente - dois corpos em decomposição clamam por terrena paixão, mãos quentes...
Pudesse tocar seus ossos sagrados, esmagar seus cabelos sem viço em mãos, dar sim, mãos aos artelhos encarquilhados... segurar, segurar... para que levem para onde estão...
Projeção do sonho ao inverso e o retorno é sempre na carne: imóvel frente às pedras... flores com rosto para o chão pelo peso de lágrimas.
Tem de se esperar mais um tempo.


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