segunda-feira, 16 de julho de 2007

A DOR

Os corpos enterrados no concreto: ele os sente pulsarem, ouve deles os gritos atordoados, suas gargantas cortadas o ferem.

Os corpos do concreto dizem verdades. Ele passa, eles se erguem da massa cinzenta: os braços azuis e ainda fortes a lhe conter os passos... as línguas mundanas a lhe lamberem as pernas.

Esquifes saídos do ensandecido solo não mais sagrado. Erguem-se corpos fétidos - tudo é mar de lama e sangue.

Dor... dor.

A terra imunda a chuva quer lavar. A luz jorra no breu lodoso da noite e o vento grita em seus cabelos:

- Dor! Dor!

(As dores do mundo)

- Aqui! Aqui!

(Lindo... lindo)

Da terra-lápide surge o cristo -

renascido.

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