Os corpos enterrados no concreto: ele os sente pulsarem, ouve deles os gritos atordoados, suas gargantas cortadas o ferem.
Os corpos do concreto dizem verdades. Ele passa, eles se erguem da massa cinzenta: os braços azuis e ainda fortes a lhe conter os passos... as línguas mundanas a lhe lamberem as pernas.
Esquifes saídos do ensandecido solo não mais sagrado. Erguem-se corpos fétidos - tudo é mar de lama e sangue.
Dor... dor.
A terra imunda a chuva quer lavar. A luz jorra no breu lodoso da noite e o vento grita em seus cabelos:
- Dor! Dor!
(As dores do mundo)
- Aqui! Aqui!
(Lindo... lindo)
Da terra-lápide surge o cristo -
renascido.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
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