A pérola escorregou
das mãos felinas
das unhas compridas
e rompeu silêncio em queda livre
sobre tapete macio.
A senhora tem os lábios entreabertos
os olhos grudados no espelho, despertos
as mãos sob o queixo, displicente
os sentidos voltados para o tempo
quase ausente.
Espera que lhe abram a porta
que elogiem sua etérea beleza
que lhe sirvam com pompa à mesa
como o prato principal.
(o nada acontece)
Quebra espelho de sonhos
rompe-se a lágrima
de seu olho de vidro...
momento infinito
de desilusão feminina.

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